sábado, 19 de junho de 2010

Na companhia da noite

Na companhia da noite

A noite vai correndo
E minha alma aqui, na velha solidão
A noite, tão antiga companheira,
Sempre me recebe em seus braços
Perdido,
Encurralado,
Confuso.

Uma imagem
Torna-se o meu sol da noite
Contradição!
Contração!
Expansão!

Amor...
Será que permitirei que ele entre?
Será que estou disposto?
Será que corro o risco?

Só penso em um sorriso
E nos lábios que o acompanham
Nos castanhos olhos
Que me confundem
Que se escondem
Ansiando que os ache

E os dois companheiros
Atemporais
Acariciam-se
Deitados, me olham
O cinza me fala
O que o dourado
Não me pode dizer

O negro
Acalenta-se
Na roxa teia

Sinto – logo existo
Toco – logo derreto
Sonho – logo me perco
Beijo – logo palpito

A doce fumaça
Contorna
Suas formas
A doce ilusão
Contorna
Meus devaneios

(Vitor Maia)

3 comentários:

  1. Sr. Vitor , como alguém poderia lhe xingar por poemas tão bonitos?! Sucesso com seu blog, vou adicioná-lo aos blogs recomendados do meu blog.
    Abçs

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  2. Excelente. A Thatha Rocha indicou no Facebook, vim conferir e curti hein!
    Ótimas poesias! Pois tem o elemento essencial pra mim: o sofrimento.

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